CRP-16 divulga reflexões sobre o “convite a tirar o racismo do nosso vocabulário”, do CFP
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CRP-16 divulga reflexões sobre o “convite a tirar o racismo do nosso vocabulário”, do CFP

Postado no dia 29 de julho de 2018, às 17:23

Texto é assinado pela Comissão de Relações Raciais e pelo V Plenário do Regional capixaba 

A Assembleia de Políticas, da Administração e das Finanças (Apaf) do Sistema Conselhos de Psicologia aprovou, na sua reunião de maio de 2018, uma nota, denominada: ‘convite a tirar o racismo do nosso vocabulário’. Após, o Conselho Federal de Psicologia (CFP) divulgar o documento, o Conselho Regional de Psicologia da 16ª Região/ES (CRP-16) fez reflexões sobre o texto.

Confira neste link a nota divulgada pelo CFP. Abaixo, leia a íntegra do texto assinado pela Comissão de Relações Raciais e pelo V Pleno do CRP-16.


PENSAMENTOS A PARTIR DA NOTA PUBLICADA PELO CFP “CONVITE A TIRAR O RACISMO DO NOSSO VOCABULÁRIO”

A Psicologia brasileira não está fora do racismo histórico que estrutura as relações entre os sujeitos. Neste sentido, psicólogas(os) negras(os) e psicólogas(os) brancas(os) poderão ser igualmente atravessadas(os) pela lógica do embranquecimento que trata de apagar e invisibilizar os elementos sócio-culturais dos povos negros também formadores da sociedade brasileira.

A Psicologia é uma profissão que nasce e se estabelece no Brasil profundamente marcada por demandas declaradas de normalização dos sujeitos e de práticas higienistas que colocaram e continuam colocando o sujeito negro no lugar de indesejado, perigoso e que coloca em risco o equilíbrio e a ordem nas relações sociais.  Isso se expressa nas mais variadas áreas de atuação das(os) profissionais de Psicologia. Ainda hoje somos uma profissão elitista no seu modo mais hegemônico, mas nas últimas décadas vimos ganhando atuação crescente nos serviços das políticas sociais que visam atuar como promotoras da democracia e igualdade social.

Quem é o público atendido pela Psicologia, então, pelas políticas públicas? São pessoas negras em sua maioria e por isso mostra-se necessário sensibilizar o olhar e problematizar a nossa prática acadêmica e profissional. Atentar-nos para as demandas raciais dos negros  no Brasil é um passo em direção ao fim do racismo seja institucional e interpessoal,  racismo este que pode estar comparecendo em atendimentos e no cotidiano dos serviços mesmo que de forma sutil. O racismo é atualizado e mantido a partir de vários elementos, incluindo a linguagem. Mesmo quando não é escancarado o tratamento inferiorizado às(aos) negras(os), através de formas sutis também há a manutenção de uma política de discriminação e subalternização do povo negro.

Para além dos termos exemplificado na nota do Conselho Federal de Psicologia, ainda outros refletem essa lógica: ovelha negra, mercado negro, coisa de preto, a coisa tá preta, lista negra, magia negra, serviço de preto, dia de branco, não sou tuas negas, cabelo ruim, morena, tem um pé na cozinha, negro de traços finos, samba do crioulo doido, da cor do pecado, mulata, meia tigela, a dar com pau, doméstica, levar no chicote *.

O entendimento que aqui se constrói não repousa sobre análises semânticas ou etimológicas das palavras, mas em um posicionamento ético e político de abertura a processos de reflexão e transformação acerca de nossas práticas cotidianas. Muitas(os) teóricas(os), estudantes, militantes, pesquisadoras(es) vêm produzindo materiais de grande importância para o enfrentamento ao racismo institucional, interpessoal e pessoal. Contudo, a pauta racial ainda é insuficientemente incorporada às práticas e à produção de conhecimento na Psicologia.

Diante disso o Sistema Conselhos de Psicologia vem criando espaços e estratégias para avançar no debate, convidando a categoria como um todo para coletivamente compor ações, posicionamentos e encaminhamentos nessa direção.  Desde outubro de 2017, com o lançamento da Referência Técnica para a atuação de psicólogas(os) sobre Relações Raciais, o Conselho Regional de Psicologia da 16ª região – ES criou a Comissão de Relações Raciais e o Grupo de Estudos da Referência Técnica em questão, reunindo mensalmente pessoas interessadas no debate. Têm sido desenvolvidas ações de formação, rodas de conversa, participação em eventos, composição de mesas, representações, comunicação com a mídia e através das redes sociais, e outras iniciativas com o intuito de construir novos conhecimentos e sensibilidades no que tange às práticas raciais. Acreditamos na potência da categoria para a construção de uma sociedade mais igualitária e democrática. Para mais informações, documentos, resoluções, referências acesse os sites do Conselho Federal de Psicologia e do Conselho Regional de Psicologia 16 ES.

Comissão de Relações Raciais e V Plenário do Conselho Regional de Psicologia da 16ª Região/ES
Vitória (ES), 6 de agosto de 2018.

*Fonte: Trecho retirado do site Geledes. 

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