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Pessoas trans na educação: veja como foi o debate com participação do CRP-16 na Ufes

Postado no dia 12 de novembro de 2022, às 08:34

Além de viver no País que mais as matam no mundo, as pessoas trans e travestis são alvo de outros tipos de violências como acontece no âmbito da educação. O acesso delas ao sistema educacional é baixíssimo. Quando elas acessam, ao passar no vestibular de uma universidade federal por exemplo, continuam sendo expostas a violações, inclusive institucionais. A permanência é uma luta diária.

É verdade que o acesso aumentou, mas as dificuldades precisam continuar sendo enfrentadas. Elas vão muito além da questão do acesso.

Esses pontos foram discutidos no Cinedebate que a Ufes realizou no dia 8 de novembro de 2022, dentro da programação da Semana do Servidor, no Cine Metrópolis, no campus de Goiabeiras, em Vitória. O debate aconteceu após a exibição de dois curtas: Eu, mulher (de Adryelisson Maduro) e Trans(verso) (de  Danyllo Tocha e Nina Rocha).

A vice-presidente do CRP-16, Marina Francisqueto Bernabé, participou da atividade. Ela falou  sobre sexualidade, transexualidade e educação. Marina dividiu a mesa com os estudantes Gabriel Oliveira, do curso de arquivologia, e Maria Muriel Pagotto do curso de Ciências Sociais da Ufes. O debate foi mediado por Viviana Correa, trabalhadora da Pró-Reitoria de Assuntos Estudantis e Cidadania da Ufes.

O alvo é a vítima
Em sua fala, a vice-presidente do CRP-16 apontou que quem comete a violência contra as pessoas trans é a população cis-hétera, que não reconhece os corpos trans. Ou melhor, que reconhece de forma estereotipada e absolutamente preconceituosa.

“Historicamente, a população trans, é estigmatizada, marginalizada e perseguida devido à crença de uma suposta anormalidade ou patologia. A crença de que existe uma correlação natural entre corpo, desejo e gênero produz sofrimento. A imposição do gênero no ato do nascimento não deve ser sinônimo de aprisionamento. O que devemos nos mobilizar é contra a transfobia, e essa responsabilidade é principalmente das pessoas cis”, citou a psicóloga.

Marina também lembrou que, o Brasil é transfóbico e assassina muitas pessoas trans, mas consome pornografia de travestis e transsexuais. E que a expectativa de vida das pessoas trans é de 35 anos, menos da metade da população em geral, que está acima de 74 anos.

Entrando no campo da educação, Marina assinalou que na Ufes as questões de transfobia precisam ser pautadas por todos os setores da instituição, seja por se tratar de vidas, mas também porque isso vai ajudar a sociedade ser menos violenta de forma geral.

Banheiros
A Ufes, recentemente, atualizou a resolução 23/2014, que desde aquele ano dispõe sobre o uso do nome social das pessoas trans, travestis e transgênero. Agora, o documento (nº 23/2022), também orienta sobre o uso de banheiros e outros espaços da Universidade segregados por gênero.

O estudante Gabriel Oliveira considera essas questões avanços importantes. Mas relatou que passa sempre por situações complicadas em outra instituição de nível superior em que estuda, em razão do nome social, que não é adotado pela referida faculdade.

Já em relação aos banheiros, ele expôs que sofre de infecções urinárias por não conseguir acessar sanitários masculinos que tenham apenas mictório. O que reforça a importância de a Ufes ter aprovado a resolução, bem como de a Universidade garantir as devidas adequações em seus banheiros.

A mediadora do debate, Viviana, ressaltou que a aprovação da resolução é muito importante, mas pontuou que o Conselho Universitário demorou bastante para aprovar a normativa.

Acesso à universidade
Durante sua fala, a vice-presidente do CRP-16 pontuou que apenas 0,1% das pessoas trans entram na Universidade.

A estudante Maria Muriel Entringer Pagotto reforçou o percentual, tecendo críticas que ele é ainda menor na pós-graduação.

Ela destacou que é importante ter cotas para pessoas trans na Pós, mas que isso tem de ser efetivado e que a Universidade precisa fazer o debate sobre as identidades trans de forma mais contundente, e não apenas “fazer por fazer”.

Segundo a Associação Nacional dos Dirigentes das Instituições Federais de Ensino Superior, em 2018, havia 63 pessoas trans na Ufes. Neste ano, o número triplicou. O que comprova que o acesso aumentou, mas há muito ainda para avançar em favor das pessoas trans e travestis.

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